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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

BOICOTAR O SARESP! NOSSO FUTURO NÃO CABE NUMA PROVA!

Unir as ocupações de escola em São Paulo e fazer um Fórum Estadual contra a reorganização do ensino!


Nós estudantes estamos dando o recado pra luta por nossos direitos: fizemos várias manifestações, e agora já são mais de 100 escolas ocupadas em São Paulo!
Nem mesmo a mídia, que sempre esteve do lado do governo, da polícia e do patrão, conseguiu esconder que nossa luta é justa e já passamos em vários programas de TV e nos jornais!
 Mesmo assim, o Governo Alckmin ousa dizer que vai continuar com a “reorganização” do ensino!
Nossa resposta deve ser à altura:VAMOS CONTINUAR OCUPANDO AS ESCOLAS, AS RUAS E FAZER UM FÓRUM ESTADUAL CONTRA A REORGANIZAÇÃO DO ENSINO!
Mas, agora, nossa luta deve dar mais um passo: BOICOTAR O SARESP E DIZER QUE NOSSO FUTURO NÃO CABE NUMA PROVA!

POR QUE BOICOTAR O SARESP?


  1. AS CONDIÇÕES DA ESCOLA DEVEM SER AVALIADAS E NÃO O ALUNO! O Saresp joga sobre o aluno a culpa pela qualidade do ensino, mas não avalia se temos materiais bons, sala de dança, sala de artes, teatro, piscina pra que nossos dias na escola sejam mais diversos.
  2.  NÃO QUEREMOS RANKING DE “MELHORES ESCOLAS”! Dependendo da nota que os alunos de uma escola tiverem, a escola recebe prestígio e cria competição entre professores e alunos.
  3. SOMOS CONTRA O BÔNUS DO SARESP! E quando a escola tem uma nota alta, os professores recebem um bônus por um mês e depois continuam com salário baixo, uma verdadeira enganação! Professor não é celular pra viver de bônus, precisa de salário digno!


NO DIA DO SARESP, VÁ PARA A ESCOLA, BOICOTE A PROVA E OCUPE SUA ESCOLA!
VOCÊ NÃO É OBRIGADO A FAZER O SARESP!

PRÓXIMO PASSO DA LUTA:
FAZER UM FÓRUM ESTADUAL CONTRA A REORGANIZAÇÃO DO ENSINO!

Nós, estudantes, estamos dando o maior exemplo de luta! Ocupamos as escolas e conquistamos o apoio de pais, professores e muitos movimentos sociais.

Mas nossa luta deve avançar: precisamos unificar com as escolas ocupadas, fortalecer o movimento ocupando mais escolas e organizar um Fórum Estadual contra a reorganização do ensino. Um Fórum amplo, que chame todos os movimentos e organize um dia de manifestações e paralisação em São Paulo!
Se a luta dos estudantes já deu medo no Alckmin, imagina quando juntar todo mundo nas ruas?
Se você concorda com essas ideias e quer ocupar as escolas e se juntar com o povo trabalhador pra fazer um Fórum contra a reorganização do ensino, entre em contato com o Coletivo Construção!
Somos a juventude que sonha e que luta por outro futuro, por isso queremos derrotar a reorganização do ensino!


quarta-feira, 18 de março de 2015

26M: dia nacional de lutas em defesa da educação!


O Brasil é uma panela de pressão desde as jornadas de junho. Uma nova consciência crítica se ergueu e milhares de jovens e trabalhadores estão mais dispostos a lutar em defesa de seus direitos.
Porém, o Governo Dilma, agora reeleito, aplica suas políticas de ajustes fiscais e de contra-reformas que vão na contramão do que as ruas colocam.
Exemplo disso, é que mesmo dizendo que o lema de sua gestão será “Pátria Educadora” mal começou 2015 e o Governo Dilma faz um grande corte no orçamento dos serviços públicos de R$ 22,7 bilhões e a educação tem o maior corte, equivalente a R$ 7 bilhões por ano, 31% em relação a 2014. A isso se soma à equipe de ministros nomeados pela presidenta, o ministro da educação Cid Gomes, que declarou que “o professor deve trabalhar por amor, e não pelo salário”.
Esse corte do orçamento acontece ao mesmo tempo em que o Brasil reúne o maior conglomerado de educação privada, a Kroton-Anhanguera, que em 2013 totalizou cerca de 1 milhão de alunos e um valor de mercado de R$ 12 bilhões aplicados na Bolsa de Valores.
Enquanto o ensino privado lucra bilhões e a educação sofre um corte de milhões, centenas de estudantes que não foram aprovados nos concorridos e seletivos vestibulares elitistas voltam para as salas lotadas dos cursinhos, alimentando a perspectiva de que eles são os culpados por não serem “as melhores cabeças”, pagando caríssimas mensalidades pros cursos pré-vestibulares dos empresários da educação enquanto que as vidas dos que entram na universidade continuam pagando a conta dos banqueiros de Dilma.

Defender a juventude trabalhadora no Brasil e lutar por mais direitos

As demissões previstas ou as que já aconteceram no ramo da indústria, como na Volkswagen e na General Motors em São Paulo, no Comperj no Rio de Janeiro e a terceirização de cargos do serviço público, prevista no PL 4330, são parte do contexto em que 29,6 % de jovens com idade entre 18 e 24 anos não trabalham e não procuram emprego (dados de 2013 do IBGE-PNAD), e de 5,9% de queda na participação de jovens no mercado de trabalho desde 2012 (dados do IPEA).
O quadro do desemprego já é uma realidade da juventude nesse processo atual mais intenso de crise e recessão econômica que o sistema capitalista tem passado.
Por mais que haja uma propaganda do Governo Federal de que o jovem que hoje não trabalha está dentro de uma universidade, é preciso saber que o processo de precarização dessas instituições se intensificou desde quando o Governo Lula criou programas como o Reuni (Plano de reestruturação e expansão das universidades federais), e ampliou programas do governo FHC que estimulam o ensino privado como o Prouni (Programa universidade para todos) e o Fies (Programa de financiamento estudantil).
Essa ideologia propagada pelos governos é uma verdadeira farsa, pois a greve nacional da educação em 2012 mostrou que muitas universidades não tem políticas de assistência estudantil que garantam moradia, restaurantes, creches, além de infraestrutura mínima como prédios para salas de aula, bibliotecas e laboratórios.
O estudante que entra nessas instituições não consegue permanecer e se formar, ou aquele que ainda consegue o diploma, que não significa garantia de emprego, fica por anos endividado graças ao Fies.

Universidades em colapso

As universidades públicas e privadas entraram num verdadeiro colapso por causa dos pacotes de maldades implementados pelos governos. Mas, ao mesmo tempo a juventude não tem ficado calada diante destes ataques.
Universidades como a UFRJ e Unifesp, tiveram o início das aulas adiadas por várias semanas consecutivas devido à grande quantidade de demissões de trabalhadores terceirizados de limpeza e segurança. Os trabalhadores da UFG também sofrem com as demissões e precarização das condições de trabalho.
Estudantes da UFAL fizeram uma manifestação no início de fevereiro para exigir o pagamento das bolsas de cerca de 1300 estudantes que estavam atrasadas desde o mês de janeiro. Já na UFPB, as bolsas dos estudantes têm atraso de dois meses e a decisão foi de radicalizar ocupando a Reitoria da universidade no dia 20 de fevereiro.
Na Unifesp, os atrasos já ocorrem desde novembro de 2014 e muitos serviços foram cortados ou terceirizados antes do começo de 2015, como é o caso da limpeza, segurança e transporte. E atualmente, os estudantes da Unifesp estão em paralisação e é possível que entrem em greve.
Na UFF, os trabalhadores terceirizados têm atraso nos seus salários desde o ano passado e atualmente fazem piquete na porta da universidade paralisando as atividades e sensibilizando outras categorias como estudantes e professores com sua causa e trazendo mais pessoas para a luta em defesa do salários e de direitos trabalhistas.
A medida de corte no orçamento acontece também nas estaduais, como a UERJ, que teve que antecipar o recesso do ano de 2014 por dificuldades financeiras e começou 2015 com greve de funcionários da limpeza por não pagamento de salários e hoje o Governo Pezão reteve R$ 91,3 milhões de verbas, podendo paralisar alguns projetos da universidade.
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) está à beira de colapso, pois desde 2014 o Governo do Estado não repassou verbas de custeio e a universidade tem dívidas de energia elétrica e de água de mais de R$ 2 milhões, e agora não pode fazer cultivo de plantas, alimentação de animais do Hospital Veterinário, viagens dos alunos, sem possibilidade de pagar centenas de bolsas e materiais de laboratórios.
Nas universidades do Rio Grande do Norte, como a UERN e UFRN, já é habitual a falta de todo tipo de material de expediente e de limpeza no último trimestre de cada ano e os poucos investimentos são brutalmente cortados pelo Governo do Estado, além da imposição de catracas no restaurante universitário.

Unificar as lutas na educação a partir do 26M e construir uma Greve Geral!

Motivos não faltam para que lutemos pela educação pública, gratuita e de qualidade e por mais direitos ao nosso futuro.
É por isso que o Andes-SN, Anel e a Oposição de Esquerda da UNE e outros coletivos  estão convocando o dia 26 de março como um dia nacional de lutas contra os cortes na educação. Este dia não será o primeiro nem o último dia que estudantes e trabalhadores irão à ruas.
Devemos nos inspirar na greve geral dos trabalhadores do Paraná, que unificaram todas as categorias e enfrentaram os pacotes de maldades, ocupando a Assembléia Legislativa e expulsaram os deputados, fazendo-os sair escoltados.
Mas é preciso que sejam criados espaços nacionais unificados, para que nossas lutas não sejam fragmentadas.
Na compreensão do Coletivo Construção, daremos um passo maior para avançar nas lutas se unificarmos as pautas da Frente pelas Reformas Populares, encabeçada pelo MTST, sindicatos e movimentos populares, e o Espaço Unidade de Ação, composto por vários sindicatos. Somente com unidade das lutas da esquerda teremos um patamar superior de construção de um programa de combate às contra-reformas implementadas por todos os governos.
O 26 de março deve ser um dia de iniciativas radicalizadas nas escolas, universidades e cursinhos e de chamado para a luta contra os cortes de gastos e de defesa de 10% do PIB para a educação pública e já.
E a partir do 26M, a juventude que se reunirá no Encontro Nacional dos DCEs no dia 30 de março deve se somar à jornada nacional de luta dos Servidores Públicos Federais que acontecerá nos dias 07, 08 e 09 de abril em Brasília, para construirmos as bases na perspectiva de uma greve geral da educação no Brasil.

  • UNIFICAR AS LUTAS DA JUVENTUDE E DOS TRABALHADORES E CONSTRUIR UMA GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!
  • NÃO AO CORTE DE GASTOS!
  • NÃO ÀS DEMISSÕES!
  • POR 10% DO PIB PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA E JÁ!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Manifesto da Oposição de Esquerda da UNE



Ampliar a luta pela educação, por mais direitos e fortalecer o movimento estudantil democrático e combativo


Na sexta-feira, 19/12, os coletivos da Oposição de Esquerda da UNE reuniram-se em São Paulo (SP), realizando um balanço das lutas de 2014 e preparando uma intervenção unitária em 2015.


Desde junho de 2013, as lutas da juventude e do povo ganharam força no Brasil. Há cada vez mais uma resposta organizada das ruas, com protagonismo juvenil e em aliança com os trabalhadores, às injustiças do país. 
Nos últimos 12 anos, observamos a consolidação de um projeto de governo em nível federal, que, agora, escancara seus limites e esgotamento. A chegada da crise econômica no Brasil demonstra os limites do modelo de crescimento dos governos petistas, baseado no consumo e no crédito. Para os próximos anos, já se anunciam pacotes de ajuste orçamentário no Brasil, que devem atingir em cheio o financiamento das áreas sociais em nome de manter os altos lucros do capital financeiro e dos capitalistas. Ao mesmo tempo, amplia-se uma crise política, em que nem governo, e nem a oposição de direita, consegue apresentar alternativas ao povo, assim como se expressa no atual escândalo na Petrobras e na relação corrupta de todos os partidos que compõe o governo Dilma e a hipócrita oposição tucana, com as grandes empreiteiras beneficiadas pelo esquema.

Os reflexos desta conjuntura na educação são claros. Após a consolidação dos principais projetos do governo para a educação universitária (REUNI, PROUNI e FIES), a situação do ensino superior no Brasil é precária. Sem um aumento do financiamento compatível com a expansão das vagas, a maioria das instituições tem sérios problemas estruturais que afetam as atividades de ensino, pesquisa e extensão. A falta de financiamento para permanência estudantil é escandalosa e leva, cada vez mais, a que centenas de milhares de estudantes sejam obrigados a evadir, após conquistar a duras penas uma vaga na universidade. Se o governo não prioriza investir na educação pública, o ensino privado segue avançando intensamente no país, fazendo com que a educação seja tratada como mercadoria e que os bolsos dos principais conglomerados capitalistas da educação se encham de dinheiro. A indisposição do governo em aprovar o investimento de 10% do PIB na educação pública, imediatamente, é demonstração disso, assim como a insuficiência dos investimentos no PNAES, ainda muito distantes dos necessários 2,5 bilhões anuais. O governo brasileiro é, cada vez mais, inimigo da educação pública, como demonstra a possível nomeação de Cid Gomes (PROS) para o Ministério da Educação no segundo governo Dilma — logo Cid Gomes que teve atuações intransigentes e autoritárias junto a greve das universidades estaduais cearenses.

Os ajustes que se anunciam em 2015 afetarão em cheio a educação. A situação das universidades federais, estaduais e do conjunto das instituições de ensino no Brasil, enfrentará graves ataques, buscando fazer com que os e as estudantes e trabalhadores paguem por uma crise econômica da qual não somos culpados. Desde já, deixamos claro que não aceitaremos nenhum corte de investimento na educação pública. Estaremos na linha de frente da luta contra o ajuste, pela qualidade do ensino e pelo investimento na educação pública e gratuita.

Queremos também envolver todas as universidades do Brasil numa luta por mais direitos. Acreditamos que os e as estudantes devem ser aliados das lutas do povo e dos trabalhadores, que têm crescido desde 2013. Direitos como a saúde, o transporte, a moradia, os direitos democráticos, de combate às opressões racista, machista e LGBTfóbica. Para a Oposição de Esquerda, a luta do movimento estudantil é também por todas essas pautas e por mais direitos para os estudantes e para o povo.

Para concretizar tudo isso, nos apresentamos como uma plataforma dentro do movimento estudantil radicalmente democrática, aberta e que se opõe diametralmente às práticas ultrapassadas e burocratizadas da atual direção majoritária da UNE, ligada ao PC do B e ao PT e que nos últimos anos tem atuado como um braço de defesa do governo federal no movimento estudantil. O distanciamento da direção majoritária da UNE das principais lutas em curso e mesmo a falta de vida interna à entidade, como ficou claro no absurdo cancelamento do CONEB de 2015, são sintomas disso. Após junho de 2013, não há mais espaço para as práticas burocratizadas. Defendemos a democratização radical da unidade e queremos construir uma nova direção para a UNE, com independência e autonomia em relação a quaisquer governos e reitorias, preparando as lutas de 2015. Para esta tarefa, fazemos um chamado nacional à unidade não apenas dos coletivos da Oposição de Esquerda, mas também entre nós e os vários companheiros que estão na luta pelo país, dentro e fora da UNE.

Assinam: 
Katerine Oliveira – 1ª Vice Presidente da UNE
Camila Souza Menezes – Diretora Executiva de Direitos Humanos
Deborah Cavalvante – Diretora Executiva de Movimentos Sociais
Kauê Scarim – Diretor de Políticas Educacionais
Larissa Rahmeier - 2ª Diretora de Políticas Educacionais da UNE
Pedro Serrano – 1º Diretor de Universidades Públicas
Lucas Marcelino – 1º Diretor de Relações Internacionais
Gladson Reis – Diretor de Pagas da UNE
Natalia Bittencourt – 1ª Diretora LGBT da UNE
Anderson Castro – Diretor de Movimentos Sociais
Tadeu Lemos – 2º Diretor de Assistência Estudantil da UNE
Marcus Vinicius – 1º Diretor de Assistência Estudantil da UNE
Edísio Leite – 1º Diretor de Públicas da UNE
Laís Rondis – 1ª Diretora de Movimento Sociais
Diana Nascimento – Diretora de Mulheres UEE/SP
Felipe Alencar – Coletivo Construção
Mariana Nolte – Vamos à Luta
Movimento JUNTOS!
RUA – Juventude Anticapitalista
UJR – Rebele-se na UNE
Vamos à Luta
Coletivo Domínio Público
Coletivo Construção
JSOL – Juventude Socialismo e Liberdade
Reunião com todos os coletivos da Oposição de Esquerda da UNE, dia 19/12/2014, em São Paulo

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Manifesto da Campanha contra a violência à mulher! - Chega de Estupro na UFMT!



No Brasil, a cada 15s uma mulher é violentada, segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2011).  Segundo o Ministério da Saúde, em 2012, a cada hora duas mulheres foram atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) com sinais de violência sexual.  Em MT, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT, 2014), nos últimos dez anos, os casos de estupro aumentaram 523%.  Esses dados existem por conta de registros que foram feitos nas delegacias e nos hospitais, mas sabemos que existem muitos casos que não foram e nunca serão registrados.
O espaço universitário, marcado pelo discurso acadêmico não está isento e nem alheio à reprodução das relações de exploração e dominação que constituem as bases de nossa atual sociedade. Uma série de práticas que, reproduzem de modo muito concreto as relações de opressão (machismo, racismo, lesbo/homo/transfobia), evidenciam também a coisificação do corpo da mulher.
Os trotes, as calouradas, a semana dx calourx, que dizem respeito a um conjunto de atividades que demarcam um ‘rito’ de passagem dxs sujeitxs à vida universitária, e que também se propõe a ser uma ‘socialização’ desta pessoa ao ambiente em que está para adentrar, são ótimos exemplos de práticas de reprodução de opressões.
Na maioria delas, os meios de propaganda utilizados divulgam as festas e calouradas com imagens de mulheres seminuas, acompanhado de slogans extremamente apelativos sexualmente, que inferiorizam e coisificam a mulher e seu corpo. Então, a que tipo de socialização se pretende com práticas como estas?  Sobre qual projeto de sociedade estamos falando quando práticas como estas se institucionalizam na cultura universitária e se tornam ‘tradição’?  Falamos então de uma produção cultural que dá base para a continuação e perpetuação das mais variadas formas de violência contra as mulheres.
Outra prática que pode estar relacionada aos trotes, mas, que infelizmente não existe apenas nesse ‘rito’, que acompanham as mulheres em toda sua vivência universitária, é o assédio sexual.  O ato de deixar a mulher constrangida para obter favorecimento sexual, comum em local de trabalho, escolas, sindicatos, na Universidade, no Movimento Estudantil ou qualquer outro lugar, que acabe por reproduzir essas relações hierárquicas.
A produção da violência contra a mulher é lenta e sistemática, reproduzida diariamente na televisão, na escola, nos livros de história, em piadas, nas formas como a mulher é representada no mundo e como naturalizamos as supostas diferenças de gênero. Por isso, para identificarmos as inúmeras violências cotidianas praticadas contra as mulheres - no âmbito doméstico, político e institucional – é preciso aguçar o olhar e desnaturalizar o que está posto!
A Universidade, enquanto um espaço de reflexão, de difusão e de produção de conhecimento, possui uma responsabilidade muito grande, a de ser socialmente referenciada.  É seu papel construir políticas de erradicação de todo tipo de opressão, inclusive de gênero.  Sobretudo, é um espaço de disputa de poder, de projeto de sociedade. Por isto, NÃO NOS CALEMOS!
A Campanha Contra Violência à Mulher: Chega de Estupro na UFMT! Convoca a  todxs  que  acreditam  em  possibilidades  de  transformação  desta  realidade  e  que  não coadunam com o silenciar das mulheres!

A sua brincadeira serve de base para o machismo. O machismo mata.
Não permita jamais que silenciem você!

Cuiabá, 20 de maio de 2014.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Nas calouradas vamos gritar: “não esconderemos nossa pinta pro seu machismo passar!”

Por Joubert Assumpção (Estudante de Pedagogia UFF, Coletivo Construção Rio de Janeiro, militante do Diversitas UFF, Coletiva BeiJATO, Marcha das Vadias de Niterói)

Preta do Vale e João Protasio, 
estudantes da UFF e do Coletivo Construção-RJ

na intervenção. Foto: Diversitas UFF.
Muitas pessoas antes de entrar na universidade, acreditam que nesse espaço, onde estamos tendo a oportunidade de refletir sobre o mundo, problematiza-lo e ampliar ideias sobre algumas coisas, que não encontrarão reprodução de algumas práticas opressivas, como: machismo, racismo, homofobia, transfobia, lésbofobia, xenofoia, dentre outras, que seguem uma lógica de que existe um padrão a se seguir e quem esta fora dele deve ser corrigidx, da forma que for necessária, desde de constrangimento com piadinhas e risinhos, até chegar a agressões físicas.
Porém é uma ilusão acreditar que a universidade é vanguarda no debate sobre opressões, pelo contrário, assim como todo espaço educativo mantido pelo Estado, ela serve como instrumento para conservação do status quo, e nessa sociedade manter as relações de poder, é essencial para conservação do capitalismo onde uns estarão sempre utilizando do seu lugar de poder para explorar os outros e para dividir a classe trabalhadora.


Unificar estudantes e construir a identidade de gênero na universidade
No entanto é necessário que façamos movimentos de resistência às opressões que passamos todos os dias. Com isso temos aqui no Coletivo Construção UFF vivenciado ótimas experiências com combate a homo.lésbo.transfobia junto ao coletivo Diversitas.
Conseguimos juntar um número significativo de estudantes, para acumularmos sobre o debate entorno do homoerotismo, as possibilidades de performance de gênero, e de todas as questões relacionadas à sexualidade que fogem da expectativa que a família burguesa branca cristã cria em cima de nós.
Criamos atividades como cine debate, mesas, oficinas de cartazes e performances artísticas, denunciando as discriminações e violências, evidenciando nossas participações nos espaços e criando um ambiente onde as pessoas LGBTT se sintam confortáveis de serem livres e se expressarem com segurança.
Por esse caminho temos conseguido avançar e vemos os resultados, quando percebemos cada vez maior o número de pessoas LGBTT se sentindo confiantes minimamente para demonstrarem seus afetos nos espaços do campus, meninos usando saia no bandejão, e uma grande conquista que foi a aprovação e efetivação do uso do nome social de travestis e transexuais na UFF, depois de um grande período de negociações com a reitoria para que esse processo seja feito com respeito a pessoas trans e atendendo a todas as suas demandas.
Joubert Assumpção, do Coletivo Construção-RJ
 e Leo Arrighi, estudantes da UFF na intervenção.
Foto: Diversitas UFF.


Manter a resistência às opressões
Mas não está tudo uma maravilha, com o nosso movimento a onda conservadora se mexe também e de maneiras mais violentas. Com o início de semestre, recebemos muitas denúncias de trotes machistas e homofóbicos, que são grandes agressões à dignidade humana.
Como coletivo, ocupamos esses espaços, resistindo e mostrando que somos cidadãos de direitos, e temos que ser respeitados!
Que “lugar de travesti também é na universidade”, e que se “mexeu com uma, mexeu com todas”. Que não vamos esconder nossa pinta, pra seu machismo passar, estamos aqui pra que pintosas, fanchonas caminhoneiras, travestis, mulheres, negrxs, sejam bem vindxs à Universidade.
Que esse espaço também é nosso, e ninguém vai controlar nossa viadagem aqui dentro, e que juntxs somos muito mais fortes.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A UNIFESP É BRANCA, E ISSO NÃO TEM GRAÇA!



A UNIFESP É BRANCA, E ISSO NÃO TEM GRAÇA!
CONTRA O RACISMO DENTRO E FORA DA UNIVERSIDADE!

[Que a Universidade] se pinte de negro, que se pinte de mulato; não só entre os alunos, mas também entre os professores; que se pinte de operários e de camponeses, que se pinte de povo, porque a Universidade não é patrimônio de ninguém e pertence ao povo...
(Ernesto “Che” Guevara)

Nesta sexta-feira, 17 de janeiro de 2014, durante o “trote” nas matrículas de estudantes convocados/as em primeira chamada do Sisu (Sistema de Seleção Unificado) para a Universidade Federal de São Paulo - Campus Baixada Santista (Unifesp-BS), estudantes veteranos pintaram com tinta branca duas estudantes negras. Além disso, afirmaram que agora elas podiam estudara na Unifesp, pois “esta universidade é branca”.

Isso é uma evidente referência à inscrição “Essa Universidade é Branca” numa das paredes da Unifesp, logo acima de uma faixa com os dizeres “TODO CAMBURÃO TEM UM POUCO DE NAVIO NEGREIRO”, pintadas pouco tempo depois do assassinato de Ricardo Ferreira Gama, auxiliar de limpeza terceirizado na Unifesp-BS.

Dentre todos/as os/as docentes da Unifesp-BS, apenas quatro são negros. Na outra ponta da divisão social do trabalho, entre os/as terceirizados/as, a maioria é negra. Entre os/as estudantes, cerca de 20% se declaram negros/as, enquanto na população nacional, este índice chega a 49%.

Nós, do Coletivo Nacional Construção lutamos por uma universidade socialmente referenciada, que seja aberta à classe trabalhadora, à juventude preta e pobre, à periferia. Queremos destruir a universidade branca e elitizada, que serve historicamente aos interesses da classe dominante.

Assim, repudiamos veementemente essa ação violenta e racista. Não vemos graça nenhuma na constatação de que essa universidade é, sim, branca e seguiremos em luta pela Universidade Pública, Gratuita, de Qualidade e Socialmente Referenciada.


COLETIVO NACIONAL CONSTRUÇÃO

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Que lições podemos tirar da greve da USP?


Uma mobilização forte

A luta que tivemos esse ano na USP foi a mais forte dos últimos anos e conseguiu coisas que até então eram impensáveis. Muitos cursos que não têm um grande histórico de mobilização entraram com força na luta e alguns fizeram greve pela primeira vez. Vitórias importantes em reivindicações específicas de vários cursos aconteceram, o que já mostra que, apesar da postura truculenta e repressora da reitoria e do governo e de sua indisposição em dialogar, a luta é o caminho para mudanças.
Outro elemento muito importante foi uma ocupação que foi feita com o movimento unificado e que conseguiu ganhar legitimidade não apenas dentro do movimento, mas em alguns setores da sociedade. Seguidas vitórias políticas que tivemos na justiça contra a reintegração de posse mostram a força da legitimidade e da ação unificada do movimento, uma vez que, como sabemos de experiências anteriores, o judiciário é um campo favorável aos adversários das mobilizações. E a força se expressou também na relação direta entre o movimento e a reitoria. Primeiro obrigamos o reitor a sentar para negociar com o movimento, o que há muito tempo não acontecia. Depois arrancamos da reitoria um termo de acordo com muitos pontos importantes, que mostrou o poder do movimento e o medo do Governo do Estado de que expandíssemos nossa mobilização. Naquele documento, um ponto fundamental faltava para que tivéssemos uma vitória consolidada: a garantia de não punição.

Um debate político contra a divisão do movimento

 A partir do momento em que foi proposto o termo, o movimento, que ainda poderia ter mais um fôlego, tendeu a se dividir e enfraquecer. É importante frisar a diferença entre divisão do movimento e divergências políticas. As divergências e votações não só devem ter espaço, como são fundamentais para que o movimento avance, aprenda e chegue a novas sínteses. Porém, quando as divergências deixam de ser discutidas em suas raízes e passam a ser debatidas em linhas gerais, os debates vão se despolitizando e avançar a partir deles fica cada vez mais difícil. Quando votamos, por exemplo, que não debateríamos ponto por ponto do documento e que somente aceitaríamos ou rejeitaríamos o termo por inteiro demos um passo nesse sentido. As disputas em linhas gerais entre dois grandes blocos – sem possibilidades de pequenos adendos que levariam o debate a um nível superior – acabam colocando as disputas em um nível mais moral que político. Quando isso começou a acontecer nessa mobilização, passamos a nos enfraquecer.
Uma lição que fica a partir disso é que é importante aprofundar o debate político sobre as bandeiras não só no início, mas ao longo da mobilização. Isso ajuda a evitar a divisão do movimento em posições tomadas superficialmente e, portanto, menos politizadas.

O ME da USP precisa se dispor a se articular de fato com os outros movimentos sociais

A reitoria, após entregar o termo, provavelmente por achar que com ele dividiria e enfraqueceria o movimento, se recusou a continuar negociando. Nesse momento, vários setores do movimento corretamente viram a necessidade de mais radicalização para aumentar nossa pressão. Porém, nenhuma ação mais radicalizada podia dar resposta ao movimento. O ME já estava usando uma das estratégias de pressão mais eficientes, que é a ocupação. Maior força só poderia ser conseguida se saíssemos do âmbito dos estudantes e da universidade e se construíssemos nosso movimento junto com outros movimentos sociais de trabalhadores. Essa unificação poderia multiplicar nossa força, e faria o Governo Estadual temer muito mais nossa mobilização.

Mas o que é construir conjuntamente com outros movimentos sociais?

Alguns apoios pontuais, ações conjuntas e diálogos entre diferentes setores da sociedade são muito importantes, como chamar determinados movimentos sociais para debates na universidade, fazer campanhas do ME em lugares fora da universidade, debater entre os estudantes lutas de outras categorias ou ter alguma ação conjunta com estas. Porém, apesar de importantes, essas ações são bastante efêmeras e não configuram de fato uma construção conjunta. O ME da USP pode tomar iniciativas mais sólidas no sentido de se unificar com diversos outros movimentos. Para a construção conjunta de lutas, é importante que haja espaços de articulação, onde se debatam as pautas comuns e as ações a serem tocadas conjuntamente. Um encontro dos movimentos de São Paulo que debatesse o combate à repressão e o acesso à educação e ao transporte poderia ser articulado e fortaleceria não só o ME, mas todos aqueles que, como nós, se enfrentam com os governos. No ano de 2014, essa articulação será ainda mais necessária, pois todos os movimentos estarão combatendo ataques parecidos, em função da Copa. Um fórum dos movimentos em São Paulo teria um papel importante na articulação das lutas até nacionalmente
       Para lutarmos por cotas, por democratização real da universidade e contra a violência do estado que sofremos é fundamental que estejamos junto ao movimento negro, aos cursinhos populares, movimentos da periferia e de tod@s aqueles que lutam por direitos!

As mobilizações ainda esse ano

A greve desse ano foi muito forte, conseguiu várias vitórias particulares em alguns cursos e teve chances de conseguir outras importantes para toda a USP. Porém, na prática, já terminou e quase todos os cursos estão tendo aulas normalmente. A grande vitória que tivemos esse ano foi construir um movimento que deixaria um legado positivo para futuras mobilizações. Os avanços políticos e a força que tivemos nos deram moral para continuar reivindicando e lutando. Porém, uma greve votada em assembleia geral que não acontece na prática tem efeito contrário: desmoraliza o movimento e tende a dificultar que as pessoas queiram embarcar em novas lutas. É importante que, no momento em que estamos, quando a greve, de fato, já não existe e não existem condições objetivas para reerguê-la, a encerremos formalmente e tracemos, sobre a base da nossa força atual, os rumos de novas lutas para o próximo ano.

E a consulta para Reitor?

Porém, uma última campanha ainda é necessária esse ano,quando acontecerá uma consulta de opinião para reitor. Essaconsulta não terá valor oficial na eleição do novo dirigente daUSP e servirá apenas para a burocracia legitimar uma dasquatro candidaturas apresentadas, todas marcadamentecontrárias ao movimento e às nossas reivindicações, assimcomo é atualmente o reitorado de Rodas. Não queremosparticipar de um processo que tem esse intuito. Dizem quequerem ouvir nossa opinião, mas não há opção favorável paranós. O movimento da USP não deve votar nessa consulta,dando continuidade à importante luta que fizemos contra essesistema muito antidemocrático de eleições para Reitor.

Em 2014: uma calourada para continuar junho e outubro!

A calourada de 2014 precisa cumprir um papel de preparar os estudantes para as grandes lutas que devem acontecer esse ano, dentro efora da USP. Colocar a necessidade de conquistarmos os blocos K e L do CRUSP, avançarmos na democratização da universidade e, além disso, termos parte nas grandes lutas que sucederão junho. Mas não apenas preparar individualmente cada pessoa com bons debates. A calourada deve ajudar a apontar para a necessidade de o nosso movimento se articular mais solidamente com outros e já trazer representantes de diversos setores das lutas para dialogar com os novos estudantes da Universidade.


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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Há muito além dos dois grandes blocos que aparecem no ME da USP – como chegar a uma síntese para avançar nas lutas?

A divisão do ME da USP em dois blocos que pouco dialogam entre si não é natural. As questões são bastante mais complexas que essa divisão e precisam ser analisadas de forma mais global. Assim como as respostas que o movimento precisa não virão através de uma polarização que não avança para nenhum tipo de síntese.
O ME da USP já teve vitórias suficientes e deve sair da greve e da ocupação? Ou ainda não conseguiu nada daquilo que reivindicava e precisa continuar na mobilização lutando para que as pautas iniciais sejam alcançadas?
Discursos derrotistas que não reconhecem os nossos avanços trazem acúmulo negativo para o movimento. Por outro lado não podemos afirmar que tivemos vitórias em todas as pautas. Não atingimos objetivos centrais, como as eleições diretas para reitor, mas vemos no congresso a oportunidade de pressionarmos novamente a burocracia universitária, com um movimento ainda mais forte, influenciado pelos avanços que estamos conquistando para obter essas vitórias. É importante analisarmos essas contradições mais detalhadamente antes de decidirmos sair ou não da greve, e em quais condições.
O movimento tem vitórias?
Antes de tudo, é importante uma análise precisa do momento em que estamos. O documento do acordo proposto pela reitoria traz alguns avanços concretos para o ME. Propuseram sobre pontos que constavam em nossa pauta e também sobre assuntos que são reivindicações históricas, mas que não apareceram entre os eixos atuais. Não pode haver dúvidas de que o simples fato de a reitoria sentar para negociar já é em si uma vitória, visto que isso não acontecia antes. Se fosse apenas isso, seria uma vitória pequena, que se referiria apenas ao reconhecimento da legitimidade que o movimento impôs à reitoria.
Mas conseguimos alguns pontos a mais, não somente a negociação. Conseguimos um Congresso, que não é aquele que queríamos, mas também não é aquele que a reitoria queria. Conseguimos um instrumento de união com o movimento dos funcionários através da vinculação do aumento das bolsas. Conseguimos promessas de reaver os blocos perdidos da moradia e de não demolição do NCN. E vários outros pontos que historicamente a reitoria se negava a conceder. Não tivemos a conquista completa dos eixos principais, mas não é verdade dizer que não tivemos vitórias.
É bastante provável que a reitoria, se aceitarmos o termo proposto, volte atrás e tente não cumpri-lo, ou imponha uma interpretação distorcida do acordo para que não precise se comprometer com alguns dos pontos. Isso, porém, é uma contingência do próprio momento em que estamos das lutas: a garantia não se dará de outra forma senão através da nossa aceitação do termo e da continuidade da mobilização posteriormente para cobrar o cumprimento. O fato de a reitoria poder não cumprir o prometido não tira o mérito das vitórias. Porém, o fato de termos vitórias não é tudo.
Qual o saldo que essa mobilização pode deixar?
Para conseguirmos cobrar o cumprimento dos pontos do termo e ainda avançar para mais conquistas, é importante termos força para, por exemplo, fazer um movimento da mesma magnitude ou maior que o que tivemos esse ano. A própria questão de a estatuinte ser ou não soberana vai depender, mais do que do acordo atual, da mobilização que tivermos no próximo ano, durante o CO que pode decidir sobre o novo estatuto. Ela é quem vai determinar se é o estatuto da comunidade USP ou se o do CO vai valer. Há alguns elementos que contribuem para aumentarmos essa força nas próximas mobilizações, outros que jogam contra.
Uma lista de vitórias importantes do movimento, ainda que não dos eixos centrais, ajuda a mostrar que a luta é efetiva e a combater os setores que são contra a mobilização. A lista de concessões proposta pela reitoria já ajudou o debate nesse sentido em muitos lugares e pode cumprir esse papel de mostrar que tivemos, sim, vitórias.
Por outro lado, punições dos envolvidos com a ocupação, assim como uma reintegração de posse violenta nessa altura das coisas, seria um fato que nos desmoralizaria e ajudaria o Rodas a se colocar no lugar a que foi chamado: de destruir o ME sem fazer concessões.
Como a reitoria joga
Nosso reitor conhece de alguma forma a dinâmica do movimento e foi colocado no cargo que hoje ocupa centralmente para pensar em como nos desarticular e destruir. Ele pensa muito bem em cada movimento que faz junto a nós. Apesar de nossa mobilização ter sido muito forte e em muitos momentos ter deixado a reitoria completamente perdida e sem saber o que fazer (como foi bem claro quando pediram a desocupação da torre do relógio), eles continuaram tentando nos derrotar mesmo depois que conseguimos alguns avanços.
Houve três movimentos coordenados da reitoria, que o movimento não percebeu com clareza.
Um deles foi fazer uma lista de propostas de concessão que dividiria o movimento. A reitoria tenta dividir os dois setores que em 2011 estavam separados e que, por isso, permitiram que o choque entrasse aqui para uma reintegração de posse extremamente violenta. Para isso, fez uma lista de propostas muito boas, juntando reivindicações atuais parcialmente atendidas com reivindicações históricas, ao mesmo tempo em que se esquivou de tomar posição sobre pautas centrais, que foram a da repressão e da soberania da estatuinte. Claramente isso poderia dividir o movimento.
Os outros dois movimentos foram: ao mesmo tempo em que fez a proposta colocada, voltou a negar qualquer negociação; e pediu novamente a reintegração de posse do prédio ocupado. A divisão do movimento e uma reintegração violenta podem fazer com que as vitórias tenham um peso menor ou até retrocedam.
Portanto, é central que nesse momento nós combatamos essa divisão em dois grupos antagônicos, e que dialoguemos de forma a avançarmos juntos para consolidar as conquistas que temos. A luta política é um local em que a legitimidade e a moral de cada lado perante o senso comum pode valer mais do que a quantidade ou o tamanho dos avanços sobre o adversário. Em um jogo de futebol fazer o último gol, no final do jogo, dá algum moral ao time, mesmo que esteja perdendo. Na nossa disputa com o Rodas, não podemos dar a ele a vantagem de fazer um gol aos 45 do segundo tempo.
Como consolidar as conquistas?
Estamos em um momento difícil. Ao mesmo tempo em que temos uma vitória suficientemente grande para sairmos da greve e da ocupação, há ainda um ponto que não foi atendido, sem o qual o movimento corre um grande risco de perder muito no próximo período e de não ter tanta força nas próximas mobilizações: a pauta das punições. Quando uma greve está completamente capenga e sem força, não temos opção senão encerrarmos o movimento sem garantias de não punição. Não é o caso atual.
A mobilização em que estamos arrancou concessões antes quase impensáveis da reitoria e, apesar de muitos cursos terem saído da greve, a mobilização continua, assim como o apoio às ações do movimento. A fraqueza terminal não é um motivo para não brigarmos pela garantia de não punição. Sair da greve e da ocupação com a o termo atual assinado e com um termo de não punição seria hoje o único movimento que poderia fortalecer uma promessa de voltarmos no próximo ano.
Ora, mas com o movimento dividido entre dois lados – um que ignora as conquistas que tivemos e outro que ignora a importância de um termo de não punição para a continuidade das lutas – não conseguiremos avançar para esse ponto necessário. Além disso, a própria divisão do movimento nessa disputa sem diálogo e sem disposição para chegar a uma síntese ajuda na desmoralização de toda a nossa luta.
Devemos, nesse momento crucial, mostrar à reitoria que estamos juntos e, garantindo o termo já proposto, condicionar a saída da greve e da ocupação à garantia da não punição.

· Consolidar as conquistas já obtidas pelo movimento para podermos avançar! Preparar uma mobilização no próximo ano para obrigar a reitoria a reconhecer a estatuinte da comunidade USP como soberana!
· Unificar o movimento e continuar a mobilização até que a reitoria garanta a não punição dos lutadores!

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